RESENHA | O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne

18:37


Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer.
Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga.
Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. O menino do pijama listrado é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável.

Quem me conhece, sabe que eu tenho uma enorme obsessão por histórias da Segunda Guerra. Sejam elas reais ou fictícias. Porque se passaram em um momento tão difícil, tão aterrorizante e tão doloroso, e mesmo assim ainda falam de coisas belas: esperança, amor, fé, e, no caso deste livro, amizade.
Bruno, um garoto alemão com boas condições, é obrigado a se mudar de Berlim para uma casa no meio do nada, onde, ali perto, logo depois da cerca, vivem homens que passam o dia de pijama. Na cabeça de uma criança de nove anos absolutamente ingênua, aquilo era algo incomum, mas indiferente.

"Por que usam pijama o dia todo?"

Já pra Shmuel, um judeu, a vida é totalmente diferente. Ele mora do lado de dentro da cerca, e, mesmo tendo a mesma idade de Bruno, já sabe o suficiente pra ter certeza de que os seres humanos podem ser cruéis.
Acontece que Bruno e Shmuel, por mais que tenham vindo de lugares diferentes e tenham uma cabeça totalmente diferente, são iguais em uma coisa: são crianças puras. Eles não são impedidos de se tornarem amigos por causa da guerra, já que para os meninos - principalmente para Bruno - ela é uma coisa sem sentido algum. Eles se questionam o tempo inteiro: "Por que somos considerados diferentes um do outro? O que nos impede de atravessar a cerca e brincar como iguais?"

"Não torne as coisas piores pensando que dói mais do que você realmente está sentindo."

A visão inocente de Bruno é um dos pontos mais intrigantes do livro, porque ela é real, em todos os sentidos. Mas acontece que hoje em dia é raro encontrar isso. É difícil encontrar inocência nas crianças, talvez até impossível. Porque, querendo ou não, as crianças de hoje perderam essa aura, essa fantasia. Por isso, encontrar essa ingenuidade em Bruno deixa alguns confusos: "Ele já tem nove anos. Devia saber sobre a guerra." Mas acontece que ele não sabia. Ele não entendia. Mesmo que hoje nós entendemos.
E é essa visão confusa de uma criança que deixa o livro tão profundo e também tão atormentador. Mas tão bonito. Porque em uma época onde havia tanto sofrimento e pavor, dois garotos viraram amigos. Sem ligar se eram diferentes ou não. Porque lá no fundo, eles sabiam, eram iguais.



Se você já leu, com certeza sabe o quão maravilhoso e devastador é esse livro. Se ainda não, precisa ler (pra ontem!). Espero que tenha gostado.

"Você é meu melhor amigo para a vida toda"
Emy :'

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