RESENHA | Suzy e as Águas-Vivas

15:48

Como minha primeira leitura de 2017, Suzy e as Águas-Vivas me conquistou logo nas primeiras páginas. Escolhido aleatoriamente na livraria por estar "a preço de banana", agora posso dizer que não me arrependo em nada por ter trazido para casa um livro tão belo e ao mesmo tempo tão trágico, carregado de sentimento e delicadeza.
Com personagens reais e cheios de carisma, o livro de Ali Benjamin foi feito para crianças e adultos do mundo inteiro, e é capaz de nos emocionar e nos fazer chorar — seja de amor, tristeza ou alegria — do começo ao fim.
Às vezes, quando nos sentimos mais solitários, o mundo decide se abrir de formas mágicas.
Suzy Swanson está quase certa do real motivo da morte de Franny Jackson. Todos dizem que não há como ter certeza, que algumas coisas simplesmente acontecem. Mas Suzy sabe que deve haver uma explicação — uma explicação científica — para que Franny tenha se afogado. 
Assombrada pela perda de sua ex-melhor amiga — e pelo momento final e terrível entre elas —, Suzy se refugia no mundo silencioso de sua imaginação. Convencida de que a morte de Franny foi causada pela ferroada de uma água-viva, ela cria um plano para provar a verdade, mesmo que isso signifique viajar ao outro lado do mundo... sozinha. Enquanto se prepara, Suzy descobre coisas surpreendentes sobre o universo — e encontra amor e esperança bem mais perto do que ela imaginava. 
Este romance dolorosamente sensível explora o momento crucial na vida de cada um de nós, quando percebemos pela primeira vez que nem todas as histórias têm final feliz... mas que novas aventuras estão esperando para florescer, às vezes bem à nossa frente.

Um dos primeiros pontos positivos que encontrei no livro é o fato de ser contado por uma criança. Suzy, aos 12 anos, nos proporciona uma leitura leve e simples, totalmente direta, que desperta em quem lê diversas reflexões sobre diferentes pontos: luto, bullying, amor, família, amizade e ciência. É o tipo de história que te faz enxergar o mundo com outros olhos, e que te faz questionar coisas que antes não tinham a mínima importância no seu dia a dia.

"Uma água-viva, se você olhar para ela por tempo suficiente, parece um coração batendo."

Suzy mostra que não é fácil ser uma pré-adolescente. Principalmente depois que sua ex-melhor amiga, Franny, morreu afogada (e ela sabia nadar tão bem...). Por esse motivo, Suzy decide não falar. O que é a mesma coisa de falar bobeiras: não dizer nada. Simplesmente porque ela não vê mais razão para isso. Por esse motivo, ela se mantem em silêncio enquanto tenta resolver o enigma da morte de Franny, que ela acredita ter morrido com uma picada de água-viva.

"Esta é a coisa mais importante que aprendi com o não-falar: é muito, muito mais fácil guardar um segredo quando não usamos nenhuma palavra."

E, durante todo o tempo em que trabalha para provar isso, Suzy se aproxima de pessoas que a ajudam — mesmo sem ela perceber — a superar o luto e a culpa (já que ela e a amiga não estavam em uma boa situação quando Franny morreu). Pessoas como a Sra. Turton, a sua professora de ciências, que se mostra encantadora e divertida. Ou o Justin, o garoto que ela jurava ter um temperamento horrível, mas na verdade é alguém engraçado e dedicado. E até mesmo o Jamie, biólogo que Suzy acredita poder ajudá-la, a quem mantém um contato intenso na sua imaginação. Personagens que, com o desenrolar da história, se provam ser essenciais para a vida e crescimento de Suzy.
Adorei a personagem por ela ser diferente de todas as figuras ficcionais que já conheci. Ela é única. Seja com seus conhecimentos sobre tudo (sabia que o xixi, assim como o suor, é estéreo? Ou que os coelhos não conseguem vomitar?), ou com o seu simples jeito de ser. Porque, enquanto as garotas de sua turma se importam com garotos e com ter um cabelo liso e bonito, ela ainda usa seu cabelo bagunçado e suas roupas largas, ainda se preocupa com as coisas a sua volta e com conhecer melhor o mundo em que vive. Ela continua cem por cento Suzy. Verdadeira e cheia de vida. Ela pulsa, assim como uma água-viva parece pulsar.

"Uma pessoa pode se tornar invisível simplesmente ficando em silêncio. [...] Parece que ser vista tem mais relação com os ouvidos do que com os olhos."

Transbordando amor e conhecimento, o livro de Ali Benjamin conseguiu conquistar meu coração, enchendo-o com beleza e verdade. Porque é isso que o livro é: verdadeiro. De todas as formas possíveis. Fala a verdade sobre a vida, sobre os sentimentos e sobre a amizade. É tão real quanto eu e você. Tão real quanto as águas-vivas, que, como a Suzy nos mostra, picam 23 pessoas a cada 5 segundos... É sempre bom saber.


Espero que tenham gostado e se interessado por ser esse livro encantador. Quem já leu sabe do que estou falando. É que simplesmente não dá para não amar a Suzy.


Pulsando como uma água-viva
Emy Swanson

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